Desenho de Gustavo Bordallo Pinheiro

Recordamos outro desenho de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, publicado em «Pontos nos ii» de 10 de Janeiro de 1889.

Disponível online: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/PONTOSNOSII/1889/1889.htm

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Simões Barbas apreciação sobre alguns cordofone (1884)

Eis uma apreciação mais alongada de Simões Barbas sobre alguns cordofones construídos em 1884 por conhecidos violeiros de Coimbra (e Figueira da Foz).

Fonte online:
Revista illustrada da Exposição Districtal de Coimbra em 1888
Publication date 1884
Publisher Coimbra : Typ. de M.C. da Silva

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Estudantes nas fotografias antigas

A paixão pela fotografia, e em particular pela fotografia antiga, e ainda mais especificamente pelas fotografias de estudantes de Coimbra, leva-nos longe nas nossas deambulações … Renato Almeida e Sousa partilhou connosco algumas fotografias interessantes, que merecem um olhar mais atento em busca de caras conhecidas.

Esta fotografia de uma tuna dos finais do sec. XIX, início do sec. XX poderá ser a Tuna de Lisboa? Será a figura ao lado da bandeira Cyriaco Cardoso?

É  mais um entretém para o bom leque de coca-bichinhos que se interessam por estas coisas.

Detalhe da digitalização anterior (editada digitalmente – o contraste).

Fonte: Diario Illustrado de 1 de Abril de 1891.

Estudantes de Coimbra na escadaria interior do Jardim Botânico – data aproximada: primeira década do sec XX.

Estudantes de Coimbra nas antigas escadarias (actuais monumentais) – data aproximada: primeira década do século XX.

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Concerto de Abertura da XXIII Semana Cultural da UC – OAUC

O Concerto de Abertura da Semana Cultural da Universidade de Coimbra, que acontece todos os anos a 1 de Março, tem sido protagonizado pela Orquestra Académica da Universidade de Coimbra (OAUC) desde o ano lectivo de 2016/2017, ano da sua fundação, orquestra que resulta de uma parceria entre a Tuna Académica da Universidade de Coimbra (TAUC) e a Reitoria da Universidade de Coimbra. Este ano (não) foi diferente!

Apesar da atual situação pandémica e do confinamento a que estamos todos sujeitos, a Reitoria da UC não quis deixar de assinalar o aniversário da instituição e mais uma edição da Semana Cultural, sugerindo que os eventos nela integrados fossem concebidos para mostrar através da internet. Assim, lançou o desafio a todos os participantes para idealizarem e realizarem os seus eventos adaptando-se à situação..

A Comissão Organizadora da OAUC reuniu e chegou à conclusão que era imprudente, mesmo de forma remota, produzir um concerto com uma orquestra sinfónica com 50 a 70 elementos. Assim, restavam duas opções: reduzir a orquestra drasticamente de modo a ser seguro e viável ensaiar e gravar um concerto ou juntar um vídeo com alguns concertos antigos da OAUC. A segunda opção era a menos interessante e seria escolhida apenas em último caso. Em reunião com a Reitoria, foi consensual que reduzir a orquestra era uma boa opção e surgiu a sugestão de a gravação do concerto decorrer na Sala dos Capelos, uma sala histórica para a Universidade e para o país. Desta forma, o vídeo não seria apenas um concerto da OAUC, mas também uma oportunidade para mostrar e divulgar um dos espaços mais emblemáticos da nossa Universidade.

Por questões de segurança, assim como questões técnicas de repertório e qualidade musical do concerto, a OAUC apresentou-se com uma pequena formação de cordas, que conseguiu preparar um concerto muito interessante. Os ensaios decorreram com alguma normalidade, havendo alguns imprevistos à última hora devido à situação pandémica, mas no final acabou por correr tudo muito bem. O TAGV providenciou material de iluminação e respetivos técnicos, pelo que a Sala dos Capelos ficou deslumbrante. A gravação do vídeo foi responsabilidade da tvAAC, que fez um excelente trabalho, conseguindo bons planos da sala e da orquestra. A captação sonora foi feita, como habitual, pelo diretor artístico da OAUC, André Granjo, que com o seu material captou maravilhosamente o repertório que a Orquestra de Cordas da OAUC interpretou.

Ensaio geral para as gravações do Concerto de Abertura da XXIII Semana Cultural da UC, pela Orquestra de Cordas da OAUC

Após algumas horas de gravação, seguidas de edição de som e imagem – o vídeo teve de ser preparado em pouquíssimo tempo, ultrapassando algumas das dificuldades inerentes – o produto final estava concluído. O resultado não foi apenas uma gravação de um concerto! Foi uma elaborada produção artística que mostra o melhor que a Academia de Coimbra sabe e é capaz de fazer. Fica uma recordação para o futuro que nos orgulha a todos.

Daqui a 100 anos, ou quando houver outra pandemia, talvez os nossos sucessores vejam este magnífico registo e, quiçá, leiam este texto. Desejamos que, inspirados pelo nosso trabalho, façam mais e melhor, assegurando, no seio da Academia, a continuidade destas actividades culturais extra-curriculares  que tanto contribuem para o engrandecimento da Universidade de Coimbra.

A OAUC, a TAUC, a tvAAC, a UC e todos os restantes envolvidos neste projeto, estão de parabéns! No próximo ano cá estaremos outra vez e desejando estar presencialmente no TAGV.

Eduardo Ribeiro (Júlio), 7 de Março de 2021

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Historinhas de tunas e a história d’A TUNA (excertos)

Sobre as historinhas de tunas… por vezes nós, os tunos de bastidores, temos algo a dizer… Algo que não é importante mas, ainda assim, sentimos que temos de o dizer para que, simplesmente, não fique por dizer e para que, quem vier, não  imagine que todos nós dizemos ámen às narrativas de auto-guindados especialistas sobre esta associação – que nós vivemos, respiramos, vestimos e ajudamos a dar continuidade (a TAUC) – e outras, todas enfiadas no mesmo saco do “fenómeno tuneril ou tunante”, designações que, diga-se, não subscrevemos, essencialmente porque, nas leituras históricas, desejamos uma visão integrada e integradora e não uma visão desintegrada e perigosamente tuneril-ó-centrada.

Neste capítulo das historinhas e das narrativas temos a dizer o seguinte: as crenças, as concepções e especialmente alguns discursos, têm de ser desafiados a adoptar um outro nível de rigor, porque: a continuidade de organismos académicos assenta na descontinuidade lectiva e portanto numa cíclica dissolução e posterior reorganização, com rápida e inevitável renovação do seu tecido, após um período de 2 a 3 meses de inactividade total, durante as férias grandes. Consequentemente, falar do horizonte temporal destas organizações, que surgiram nos finais do século XIX, só faz realmente sentido quando visto a posteriori, em retrospectiva, depois de ter sido feito um percurso, depois de existir uma memória, um património e uma identidade. As tunas académicas que se organizaram nos finais do século XIX, independentemente de terem uma direcção e de possuírem ou não um documento legal de constituição, organizavam-se para uma ocasião, para uma viagem, e de imediato se “dissolviam”, até mesmo antes do final do ano lectivo. No ano seguinte, ou dois ou três anos depois, reorganizavam-se os estudantes para repetir a receita, repegando na experiência e na imagem anterior. Há casos flagrantes do que afirmo, e no entanto para a simplificação histórica aceitaremos que a tuna A ou B foi “fundada” ou se “organizou pela primeira vez e teve continuidade” independentemente de a sua actividade ter sido intermitente, inconstante ou mesmo de ocasião (e. g. Tuna de Santiago de Compostela).

Na nossa leitura, não foi este o caso da TAUC, pois desde 1888 houve um contínuo e manifesto interesse de continuidade artística, que simplesmente foi duramente perturbada por questões políticas, a seguir ao ultimato e à revolução de 31 de Janeiro no Porto, mas apesar disso o grupo manteve actividade, participando ostensivamente em manifestações contra o poder instituído. Aquilo que por uns pode ser entendido como uma fragilidade, pode ter sido afinal a sua força e, à distância, podemos apreciar que o posicionamento dos elementos do grupo não o condenou à extinção nem a um hiato mas sim a um período semi-clandestino de resistência onde o amor pela arte e o brio patriótico, associado a uma identidade com intervenção cívica, reforçou a existência de algo que, sem essa força de pressão, se poderia ter simplesmente diluído.

Tudo requer contextualização e análise mais detalhada e fria. Não queremos aqui provar o improvável, pois foram os próprios fundadores que afirmaram a inequívoca génese do grupo, queremos antes dizer que é um absurdo pretender dissociar 1888 de 1894 com um inventado «hiato» sobretudo se o que motivou tal criancice foi apenas subtrair antiguidade ao grupo, jogando desajeitadamente dúvidas sobre a sua fundação. A investigação séria sepultará essas debilidades dos que com isso se cobriram de ridículo.

Os fundadores da TAUC nascidos na década de 60 do século XIX herdaram a história de conflitos e aspirações de alguns dos seus pais. A luta pela república foi longa, com muitos sacrifícios, perseguições, etc. Para essa geração de estudantes foram mais de 20 anos a ansiar pela república, que lhes traria a democracia e a liberdade. A 1.ª república foi agitada, geraram-se tantas divisões entre republicanos, e estes viram que afinal os conflitos de interesse e as injustiças poderiam ser tão ou mais graves do que em monarquia… foi o desencanto para muitos. Apesar disso não quiseram lembrar perseguições monárquicas … mas que eles não quisessem lembrar é diferente de querer APAGAR.

(excerto de Apontamentos para a História da TAUC)

A. Caetano, 4 de Março de 2021

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As vantagens dos livros online em OCR

Em busca das fontes de António José Soares (o nosso Arne Saknussemm), que cita João de Lemos a propósito da antiga «Assemblêa Academico Philarmonica» (uma antecessora ou “avó da TAUC”), encontrei uma revista académica portuguesa de 1848 digitalizada pela Universidade de Harvard.

Excerto da Chronica do Instituto Dramatico  (JD)

«Dentro de um anno estava edificado o actual Theatro, que é uma sala de 97 pés de comprido sobre 51 de largo, com 3 ordens de espaçosos camarotes até o numero do 56, com um palco de 45 pés de comprido;  e officinas suficientes para Camarins, guardaroupas, pintura, secretarias, discussões, etc. A sala tem dous grandes defeitos, filhos da precipitação, com que foi edificada: 1.º a figura, que em vez de elíptica é um quadrilongo terminado semicircularmente; 2.º a demasiada altura da 1.ª ordem de camarotes, que está em desproporção com as outras duas. O arco é muito proporcional, e regular; e o salão d’entrada muito espaçoso. Sobre este salão se está construindo outro salão para as reuniões philarmonicas, e bailes de uma associação irmã da Academia Dramática, que veiu estabelecer- se no resto do edifício, e que com ella fraternisa [em] parte das suas diversões. A mesma entrada communica também para os gabinetes de leitura da mesma associação, onde se lêem todos os periódicos políticos do Reino, e alguns principaes estrangeiros, o bom numero de publicações litterarias e scientificas de todo o género.
As Camaras concederam por uma lei à Academia Dramática o edificio de S. Paulo, ficando o Theatro sujeito à suprema inspecção do Reitor da Universidade; e o Governo approvou os Estatutos da associação. Foi nestes Estatutos que se creou o Instituto Dramático, como hoje existe, dividido em 3 secções: dramática — de música — e de pintura; em cujo gremio se acham inscriptas as principaes capacidades da Academia, e muitos distinctos litteratos do Reino,
Os primeiros actores creados pelo Instituto Dramático estrearam-se em 24 de Junho de 1839 na 1.ª representação do Theatro novo, inda incompleto. É de lamentar que se tenha seguido constantemente na escolha das peças o gosto do Drama exagerado de França. Entre estes foram ricamente executados: Lucrécia Borgia, o Sineiro de S. Paulo, os dous Renegados. No anno corrente [1848] deu-se o 1.° passo para uma transição de gosto, representando-se unicamente dramas nacionaes; como o Emparedado, o Pagem d’Aljubarrota do Snr. Mendes Leal, e a nova peça do nosso novo A.[utor] e sócio d’este instituto o Sr. João de Lemos – Maria Paes Ribeira. Na lista dos actores continuam a alistar-se para credito da associação alguns dos mais distinctos estudantes da Universidade: sendo de notar que os menos applicados nas aulas são tambem os mais morosos e menos jeitosos para a scena; confirmando isto a grande verdade, que o estudo e applicação vencem as difficuldades de todo o género»

Revista academica: jornal litterario e scientifico, 1.º Volume de 1845 a 1848, Coimbra, Imprensa de E. Trovão, 1848.

Sobre planta de Rui Lobo, à escala e com as dimensões aproximadas: a sala do teatro (a vermelho) e o palco (a azul). Esta disposição parece-nos a mais lógica. [1]

A. Caetano, 21 de Fevereiro de 2021

Nota:  1 pé = 0,3048m. Espaço = 97 x 56 pés = 29,56 m x 15,54 m; palco = 45 pés = 13,71m

[1] Actas do IV Congresso de História da Arte Portuguesa em Homenagem a José-Augusto França: Rui Lobo, O Colégio Real de São Paulo em Coimbra e a definição do tipo de colégio secular. (2014)

Ver https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/coimbra-colegio-real-de-s-paulo-111492

Vistas de sul e de este do edifício. Portas do lado este (a azul). Parte que ruiu no terremoto (a vermelho).

Por hipotese o local do salão de entrada (RC) e por cima uma sala de ensaios. A entrada no teatro a fazer-se pela parte oriental seria uma possibilidade.

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Ocarinas

Ocarina numa fotografia da TAUC de 1896.

Quando entrei para a TAUC nos anos 90 (do séc. XX 🙂 ) dois companheiros que integraram um grupo de música popular da TAUC («Contos Velhos Rumos Novos» em homenagem ao Zeca Afonso) apareceram nos ensaios a tocar um curioso instrumento que eu nunca tinha visto – uma ocarina. Fizemos depois vários espectáculos (existe uma gravação em arquivo) em que o primeiro tema do repertório  – uma espécie de indicativo, estritamente instrumental, para entrar na atmosfera da música tradicional – tinha um segmento inicial muito engraçado onde o Zé Soares solava com a sua ocarina. Anos mais tarde vim a descobrir numa fotografia da TAUC de 1896 uma ocarina empoleirada sobre as cordas de um contrabaixo (de 3 cordas).

Em Janeiro de 2018, de visita à casa em Elvas, um bisneto de Simões Barbas mostrou-nos, para nossa surpresa, estas ocarinas junto à flauta e ao octavino que pertenceram ao primeiro maestro da TAUC.

Ocarinas do maestro Simões Barbas (Elvas, 13 de Janeiro de 2018) e a batuta oferecida em 1888 pela Academia Musical de Coimbra (depois Estudantina/Tuna).

António Simões de Carvalho Barbas dominou vários instrumentos. Terá começado pela flauta, instrumento que dominou ao ponto de ser convidado como solista por algumas companhias de zarzuela que passaram por Coimbra, mas posteriormente dedicou-se mais às cordas por motivo de doença que lhe afectava os pulmões. Entre outros instrumentos, como por exemplo bandolim, tocou, com nível digno dos maiores elogios, violoncelo e guitarra clássica, incluindo uma guitarra de 11 cordas (desenho do espanhol Torres) instrumento para o qual compôs e publicou pelo menos uma peça.

Não é pois de admirar que tenha tocado ocarina. Há várias pistas que nos indicam a presença bem difundida deste instrumento em Coimbra nos finais do sec. XIX.  Num relato do primeiro presidente da Estudantina– Arthur Pinto da Rocha – ele refere a ocarina no instrumental de uma estudantina improvisada que, em 1888, recebeu, em Coimbra, a Tuna Compostelana.

Já existia nessa data repertório publicado para ocarina com arranjos de excertos de música clássica e de repertório também interpretado por estudantinas, como valsas, polkas e jotas.

 

 

 


Ver esta fotografia e texto no site terramater.pt :

«O séc. XIX assistiu à constituição de grupos de ocarinas tocando pela partitura as melodias em voga (marchas, valsas, polcas, etc.), os quais contribuíram para a divulgação desses trechos de origem centro-europeia nos meios populares, de forma semelhante às tunas e bandas filarmónicas. »

Grupo ocarinista de Mafra (s.d., finais séc XIX). Fonte: https://terramater.pt/ocarina/

A. Caetano, 19 de Fevereiro de 2021

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Récitas de quintanistas de Coimbra na segunda metade do sec. XIX

Armando Carneiro da Silva, tratou este assunto no livro «As récitas do V ano», Coimbra, 1955. Em 2013, Catarina Sofia Ribeiro Braga, numa dissertação apresentada à Universidade Aveiro – «O Teatro Cantado em Coimbra (1880-1910): géneros, grupos e contexto» – aborda de forma integrada o «teatro cantado na cidade de Coimbra entre 1880 e 1910, contextualizado num fenómeno mais amplo de alastramento do culto de lazer e do consumo de bens culturais a diferentes camadas da sociedade.». Catarina Braga, integra – e bem – a TAUC nesse fenómeno. [Perdoe-se-lhe o facto de afirmar que a Tuna foi fundada em 1894 🙂 porque esta é obviamente uma questão com uma pseudo-cão-plexidade que temos vindo a desmontar de forma documentada…] Contactado, há dois anos, pela simpática autora conimbricense, a propósito de Simões Barbas, tive oportunidade de perceber que se dedica a digitalizar música para fazer um estudo “mais musical” da produção musical – e isso é louvável porque apesar dos avanços tecnológicos, esse é um trabalho penoso, especialmente se feito a partir de manuscritos – e recordo que nessa conversa informal concordou com essa tese-evidencia de que a origem da TAUC está nas récitas dos estudantes (dos quintanistas e outras).

Como já lembrámos várias vezes, António José Soares, na «Breve história da TAUC» e noutros textos (ver também O Primeiro de Janeiro», 27 de Março de 1966) coloca a orquestra do Teatro Académico nas origens da TAUC e naturalmente, pelo levantamento e estudo das fontes que ele fez, sabia bem o que afirmava.  Como o demonstra Catarina Braga e a Universidade de Aveiro [:)], o assunto é interessante e merece estudo aprofundado. A tentação de algumas pessoas imaginarem uma pobreza franciscana nessa produção académica teatral/lírica/musical dos finais do século XIX parece-me que não tem qualquer fundamento. As produções foram em alguns casos do mais brilhante e luxuoso, recrutando os melhores artistas nacionais. Que a produção posterior tenha esmorecido até ao teatrinho desconjuntado, acompanhado de sol e dó, rumando à extinção das récitas, isso será outra história… por isso, seria interessante ver estudos da produção musical teatro/opereta dos estudantes de Coimbra dos finais do séc XIX.  Que partituras é possível recuperar nos arquivos ou junto de descendentes, não sabemos (!) mas aqui fica o nosso apelo à Universidade de Aveiro que, por académico favor, estudem mais o assunto! 🙂

A arte musical, n.º 109, 15 de Julho de 1903. Fonte Online

A malta do Arquivo da TAUC, tem encontrado informação dispersa sobre a actividade dessa(s) orquestra(s) que funcionou(ram) no Teatro Académico (aproximadamente entre 1850 e 1887) e recentemente, no processo de retirar do esquecimento a récita de quintanistas de direito de 1898, «Os Bohemios», do tauquiano Manuel Mansilha, apercebemo-nos – uma vez mais – que afinal as pessoas que deram corpo a essa(s) orquestra(s) não foram completos anónimos. Simões Barbas e F. Lima de Macedo, que foram regentes da Tuna, são dos exemplos mais conhecidos, mas há dias verificámos que o Visconde de Arneiro (José Augusto Ferreira da Veiga), que surge como autor da «Aria do barqueiro» integrada nesta récita de 1898, terá sido elemento desta orquestra do Teatro Académico: «Matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1855 e seguiu o curso de Direito, saindo bacharel em 1859. No tempo de estudante, já se apresentava como distinto músico, sendo-lhe confiada a direcção do Teatro Académico de Coimbra (a sua opereta «A Questão do Oriente» foi estreada neste Teatro em 1859).» Fonte blog nenotavaiconta (22/11/2015).

São apenas pistas para (re)afirmar uma evidência… a TAUC nasce Academia Musical de Coimbra aka Estudantina Académica de 1888 e o seu “figurino” sai das récitas dos estudantes de Coimbra. Agua mole em pedra dura tanto dá até que … penetra!

A. Caetano, 18 de Fevereiro de 2021

 

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Um programa da Tuna Farense (1903)

Em tempos de confinamento… e revisitando material arquivado, lembrei-me de partilhar este programa de 1903, de um espectáculo da Tuna Farense, fundada e regida pelo tauquiano Alberto de Vasconcellos Moraes ( 1875 – 1932) que cursou Direito, em Coimbra, entre 1890 e 1897.

Olhando para todos os elementos que estão nestes documentos é fácil perceber porque é que a Tuna Farense é por nós considerada como uma tuna-filha da de Coimbra (evitei  escrever “filha da tuna” mas …).

O presidente da direcção é, o antigo estudante de Coimbra, Joaquim Rodrigues Davim (Direito 1889 a 1895)
– o regente honorário e sócio benemérito, é Simões Barbas
– o fundador e regente é Alberto de Moraes, que além disso é compositor de um pasa-calle, autor e ensaiador da farsa e autor do monólogo…
– o sarau dramático-musical segue o figurino das récitas Coimbrãs… adoptado também pela TAC …
– o repertório e os autores …
– os instrumentos (alguns feitos em Coimbra!)…
– as orquestraçõesestá ali escrito! – são de Simões Barbas …

Aí tendes os documentos!

Fonte: Documentos do Dr. António Simões de Carvalho Barbas

A. Caetano, 13 de Fevereiro de 2021

A peça «Serenade de Mandolines» foi composta por Louis-César Desormes (1840-1898) para violino e transcrita para bandolim por Ferdinando de Cristofaro (1846 – 1890). Publicada em Paris aproximadamente em 1900. Gravação de Salvator Leonardi, aprox. 1910.

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PROGRAMMA DAS LATADAS 1896

João Eloy Pereira Nunes Cardoso (1875 – 1944), autor de um maravilhoso livrinho  – «Boémia Coimbrã» (1938) que resultou das palestras na Emissora Nacional sobre a riquíssima Vida Académica Coimbrã – matriculou-se na UC, em Direito, no ano lectivo de 1894-1895. Desde caloiro coleccionou e guardou um conjunto de documentos produzidos pela Academia de Coimbra de então, e eles aí estão, saídos do baú, acordados de um repouso de 120 anos.

Eis o programa da latada de 1896 em português! Yeiah! 🙂 Sim, porque… existe uma versão em latim macarrónico e em verso! A boa notícia: está na forja uma tradução.

Inté!

A. Caetano, 10 de Fevereiro de 2021

Carta Regia de Minerva a Dona Bohemia Esturdia Pandega Batota Pepineira. Escripta no Olympo a 16 de Maio de 1896

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