Alberto de Sá Marques de Figueiredo, nasceu em Vila Nova de Paiva no dia 7 de Julho de 1883; faleceu em Lisboa no dia 6 de Outubro de 1955.
Frequentou a Universidade de Coimbra entre 1900/1901 e 1904/1905 e licenciou-se em Matemática e Filosofia Natural (…).

Alberto é o segundo estudante de pé a contar da esquerda e o irmão José Augusto o terceiro estudante sentado a contar da esquerda. Ambos frequentaram a UC entre 1900 e 1905, Alberto estudante de Matemática e Filosofia Natural, José Augusto estudante de Direito.
Foi um aluno distinto. Discípulo de Bernardino Machado na cadeira de Antropologia, viria a ser seu genro: casou em 1912 com Rita Machado Sá Marques (18 de Fevereiro de 1888 – 25 de Março de 1970).
A tradicional fotografia de estúdio exibindo a pasta de luxo.

Fotografias, a cores, da pasta de luxo (2016). Passados 111 anos a pasta apresenta-se em bom estado de conservação. É um documento raro que nos permite apreciar o trabalho artístico, delicado e minucioso, dos bordados.
Enquanto estudante integrou a TAUC. Tocava bandurrinho (também designado cavaquinho do sul). O bandurinho está documentado em fotografias da TAUC desde 1888 a 1914. Assume-se que era utilizado com a mesma afinação do bandolim (sol, ré, lá, mi).

Pormenor da fotografia TAUC em 1903 na escadaria da Via Latina: Alberto de Sá Marques com o seu bandurrinho. Era presidente António Aurélio da Costa Ferreira e regente, Francisco de Macedo.
Notícia da sua morte no Diário de Lisboa, 7 de Outubro de 1955, com um resumo biográfico.

(1955), “Diário de Lisboa”, nº 11796, Ano 35, Sexta, 7 de Outubro de 1955, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_19233 (2016-11-19)
Foi o seu filho, Manuel Machado Sá Marques, médico, agora reformado, com 93 anos, uma memória e uma lucidez invejáveis, que publicou estas memórias no seu blog «Recordações»: Recordar meu Pai – Alberto de Sá Marques de Figueiredo
Em Junho de 2016 o Dr. Manuel Machado Sá Marques enviou-nos o bandolim de seu pai, por intermédio do nosso bom amigo Júlio Pereira. Este instrumento foi guardado durante largos anos pelo seu irmão Luís Machado Sá Marques, e foi sua esposa, Joana Celeste Vilares Teixeira Cepeda, quem doou o bandolim à TAUC – Museu Académico de Coimbra.
Bandolim de construção provavelmente anterior a 1900, sofreu alterações (exemplo do atadilho, colocar outra imagem…). Medidas:
Comprimento total: 590 mm
Comprimento do corpo (caixa): 280 mm
Largura máxima da caixa: 225 mm
Comprimento da cabeça (incluindo pestana): 155 mm
Largura máxima da cabeça: 68 mm
10 trastos até ao corpo, num total de 17 trastos
Tiro de corda: 354 (177×2)
Espessura da pestana: 4 mm
Altura do cavalete: 15.5 mm
Largura do braço na pestana: 29 mm
Largura da escala ao 12º ponto: 36 mm
Diâmetro da boca: 64 mm
Altura da ilharga no taco: 72 mm
Altura da ilharga no cepo: 63 mm
Tampo com 3 barras harmónicas
Fundo com 3 barras harmónicas
O Dr. Manuel Machado Sá Marques doou um conjunto muito interessante de fotografias, das quais destacamos um exemplar da fotografia da TAUC na Via Latina em 1903 e um conjunto de 68 cartes de visite onde podemos apreciar pormenores como as pastas de luxo, e a variabilidade na indumentária dos estudantes no princípio do séc. XX, etc.

Alberto d’Abreu Campos, sócio da TAUC (actor) contemporâneo de Alberto. Exemplo de uma carte de visite digitalizada no âmbito da actividade do Arquivo Digital da TAUC.
Documentos/Fotografias republicados com a autorização do Dr. Manuel Machado Sá Marques a quem agradecemos a sua enorme generosidade e as preciosas ajudas no campo da investigação.
Agradecimento ao Eng. Fernando Miraldo pela análise e mensuração do bandolim.
Adamo Caetano,
Coimbra, Novembro de 2016
in Apontamentos para a História da TAUC (Base de Dados do Arquivo Digital da TAUC).


